Doenças

Bexiga Neurogênica

O que é bexiga neurogênica?

A bexiga possui basicamente as funções de armazenamento e esvaziamento. Este funcionamento é coordenado por um complexo mecanismo nervoso e muscular. Os nervos enviam mensagens para o sistema nervoso central (cérebro ou medula) sobre a necessidade de haver esvaziamento da bexiga. O cérebro ou medula envia de volta, através de nervos, mensagens para os músculos da bexiga e esfíncter uretral para que seja esvaziada a bexiga. Quando há uma lesão neste sistema neurológico, provocando um mal funcionamento da bexiga, estamos diante de uma bexiga neurogênica que poderá ter diferentes formas e intensidade de manifestação.

Causas

A bexiga neurogênica na infância pode ser devido a mal-formação congênita como ocorre nas meningomieloceles ou lesões neurológicas adquiridas como os traumatismo raquimedular:

- Mielomeningocele
- Traumatismo raquimedular
- Tumores no SNC (sistema nervoso central)
- Paralisia Cerebral

Como se manifestam as crianças com bexiga neurogênica?

As crianças acometidas com alguma lesão neurológica que desenvolvem a bexiga neurogênica podem apresentar uma variedade de sintomas relacionados ao sistema urinário:

- Infecções urinárias com ou sem febre
- Incontinência de Urina
- Incontinência Fecal
- Hidronefrose (dilatação renal)
- Retenção de urina

Avaliação da criança com bexiga neurogênica

Crianças que desenvolvem bexiga neurogênica devem ser pronta e corretamente avaliadas a fim de preservar a função renal primeiramente e tão logo possivel reitegrá-la a uma vida social normal com a aquisição de continência urinária e fecal. As crianças que nascem com meningomielocele também devem ter avaliação do urologista logo após a equipe de neurocirurgia corrigir o defeito neurológico. Entre os principais exames:

- Ultrassonografia
- Urodinâmica ( o ideal em casos de bexiga neurogênica é associá-la à fluoroscopia: videourodinâmica)
- Uretrocistografia (dispensável se pode-se realizar a video-urodinâmica)
- Ressonância Magnética da coluna espinhal.
- Exames laboratoriais ( avaliação da função renal)
- Cintilografia renal ( nos casos de infecções urinárias com febre)

Tratamento

Os objetivos do tratamento da criança com bexiga neurogênica são preservar a função renal, evitar infecções urinárias, tratar a constipação associada e obter a continência de urina e fezes.

- Cateterismo vesical intermitente: muitas crianças com bexiga neurogênica apresentam risco aumentado de danificar os rins devido à grande pressão intra-vesical. Nestas crianças o cateterismo da bexiga (sondagem) 4 a 5 vezes por dia é importante para que o esvaziamento e diminuição da pressão sejam obtidos. O cateterismo não é indicado para todas as formas de bexiga neurogênica. Deve ser ensinado aos cuidadores uma forma limpa de realizar os cateterismos em casa.

- Anticolinérgicos: esta classe de medicamentos atua sobre a contração da musculatura da bexiga, promovendo um relaxamento da bexiga, dimuição da pressão intra-vesical e aumento da capacidade da bexiga.

- Antibióticos: são úteis naquelas crianças com bexiga neurogênica e que tem um risco aumentado de desenvolver infecções urinárias. O uso de forma profilática (preventiva) embora seja contestado por alguns centros, é muitas vezes um importante auxiliar para manter a urina estéril.

Cirurgia

- Ampliação vesical: As cirurgias para aumento de bexiga são necessárias naqueles pacientes que não evoluiram bem apesar de todos os tratamentos dispensados. São indicadas para aquelas crianças que permanecem com risco aumentado de lesão renal, incontinência de urina e incontinência fecal. A cirurgia visa aumentar a capacidade da bexiga, diminuir a pressão, resgatar a continência urinária e das fezes. É considerada uma cirurgia de grande porte, necessita um período longo de internação ( em média 2 semanas).

Mas modifica positivamente a vida dos pacientes. Faz com que os pacientes deixem de ter o risco de perder a função renal e evoluam para diálise e transplante renal ( quando realizadas em tempo hábil).

Promove uma grande melhora de auto-estima nas crianças ao dar a elas condições para retirar as fraldas definitivamente, melhorando muito suas auto-estima.

- Esfíncter Uretral Artifcial: podem ser utilizados naquelas crianças com bexiga neurogênica, mas sem alteração da capacidade ou da complacência vesical. Nestas situações a implantação do esfícter no colo vesical de meninos ou meninas tem resultados de sucesso de até 90%. Em crianças com bexigas ruins, com perda de capacidade e aumento de pressão, os esfíncteres artificiais também podem ser utilizados concomitantemente ao aumento da bexiga.

- Apendicocecostomia (Princípio de Mitrofanoff): Durante a cirurgia de ampliação da bexiga é criado um conduto com o apêndice (ou na ausência de apêndice um outro segmento ntestinal) que irá conectar a bexiga diretante a um orifício na pele. A intenção deste conduto é permitir a sondagem(cateterismo) de maneira mais fácil, permitindo que isto seja feito pelo próprio paciente após um período de treinamento. O orifício na pele é dito continente, ou seja, não necessita de bolsa coletora porque não há perda de urina através dele. Somente sairá urina pelo conduto se for colocado uma sonda através dele.

Desenho mostrando como o conduto de Mitrofanoff permite um fácil acesso à bexiga.